Trivela

Copa do Mundo

A trajetória de Danijel Subasic na seleção da Croácia é relativamente breve. Embora tenha recebido sua primeira convocação em 2008, são apenas 44 partidas pela equipe nacional. Poucas aparições, se compradas às marcas de outros jogadores, mas fundamentais. O camisa 1 será sempre lembrado como um símbolo da equipe vice-campeã mundial em 2018, herói em momentos emblemáticos na Copa do Mundo. E se torna mais um protagonista que se despede da camisa quadriculada. Um dia depois de Mario Mandzukic, o arqueiro de 33 anos confirmou que a decisão contra a França foi seu último jogo com a seleção.

Convocado às seleções de base, Subasic ganhou a primeira chance na equipe principal em 2008, às vésperas de completar 24 anos. Já a estreia aconteceu um ano depois, em amistoso contra Liechtenstein. Durante a maior parte deste período, permaneceu na reserva de Stipe Pletikosa. No entanto, a aposentadoria do veterano se combinou com a afirmação de Subasic no Monaco. Logo depois da Copa de 2014, assumiu a titularidade. Já às portas de completar 30 anos, viveria o auge.

Pelo clube, Subasic se confirmou como um dos melhores goleiros do futebol francês. Participou de todo o processo de reconstrução do Monaco a partir da segunda divisão e, em 2016/17, experimentou o ápice. Teve atuações magistrais para garantir o título da Ligue 1, desbancando o Paris Saint-Germain, além de ajudar os alvirrubros a alcançarem as semifinais da Liga dos Campeões. De certa forma, era um consolo ao arqueiro. A Croácia encheu sua torcida de expectativas após a ótima campanha na fase de grupos da Euro 2016, mas caiu logo nas oitavas diante de Portugal, na prorrogação.

Depois do título nacional, o Monaco viveu certa ressaca e não conseguiu repetir o alto nível, até pelos jogadores que saíram. Subasic, particularmente, também não se mostrou tão decisivo. Algo diferente do que aconteceu na Copa do Mundo, um dos protagonistas da seleção croata. Nem precisou ser tão exigido na fase de grupos, mas começou a fazer história a partir das oitavas de final. Primeiro, ao defender três pênaltis contra a Dinamarca, igualando o recorde em uma única disputa por Mundiais. Depois, atuou no sacrifício contra a Rússia e faria novos milagres, antes de pegar mais uma cobrança, atingindo outro recorde. Viveu o êxtase na semifinal contra a Inglaterra, numa noite na qual os croatas se reinventaram. Até que a decisão não tenha lhe caído tão bem. A imagem do arqueiro estático nos gols dos Bleus foi criticada por muitos. Poderia ter feito melhor. De qualquer maneira, ainda tinha seu lugar entre os símbolos do time que superou as expectativas para encher o país de orgulho.

Prestes a completar 34 anos, Subasic poderia almejar a disputa de mais uma Eurocopa, mas preferiu terminar no ponto mais alto que já atingiu. Em sua carta de despedida, agradeceu nominalmente Slaven Bilic e Zlatko Dalic, o primeiro e o último técnico em sua trajetória com a Croácia. Além disso, abre o caminho para os seus sucessores na meta da equipe quadriculada. Lovre Kalinic deve ser o novo titular. Destaque no Campeonato Belga com o Gent, o arqueiro de 28 anos atuou contra a Islândia no Mundial e fez uma excelente partida para garantir a vitória. O futuro parece bem garantido, ao menos durante o próximo ciclo.

“Tomei a decisão depois da Copa do Mundo, porque queria concluir minha carreira internacional com esta participação. Todos temos nosso tempo e talvez eu pudesse jogar em outro ciclo, mas acho que seria muito. Quero que meus companheiros, que esperam uma chance, realizem seus sonhos como eu fiz com a seleção. Minha jornada chegou ao fim e a medalha de prata é o prêmio pela dedicação”, apontou. “Agradeço a todos os meus colegas, sem eles nada faria sem tido. Tivemos períodos difíceis juntos, mas vivemos muitas alegrias. Essa comunhão, humildade e amizade que compartilhamos na Rússia serão lembradas pelo resto da vida. Não falarei sobre os jogos, mas sobre o período em que passamos juntos além dos gramados. Tudo por nós, por nossa camisa, por nosso povo, por nossa histórica medalha. Nenhuma competição de clubes pode se comparar aos sentimentos com a Croácia”.

Em número de partidas, Subasic é apenas o terceiro goleiro que mais entrou em campo pela Croácia. Pletikosa defendeu a equipe nacional por 15 anos e soma 114 jogos. Já Drazen Ladic, um dos símbolos da campanha em 1998 e treinador de goleiros no vice mundial, tem 59 partidas. Subasic acaba abaixo de ambos neste sentido. No entanto, não é exagero dizer que se despede como o melhor arqueiro que a seleção croata já teve. As defesas essenciais e o brilhantismo em vários momentos no Mundial da Rússia valem esse reconhecimento. A história está cumprida.

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