Trivela

Champions League

Quando Wissam Ben Yedder foi chamado por Vincenzo Montella em Old Trafford, durante o segundo tempo, sabia que tinha uma missão a cumprir. O atacante precisava anotar ao menos um gol para abrir o caminho do Sevilla rumo às quartas de final da Liga dos Campeões. Na primeira tentativa, viu a zaga chegar junto. Mas bastaram míseros 87 segundos desde o momento em que entrou em campo para, com um chute no cantinho, deixar os andaluzes em vantagem. Já estava bom? Poderia ser mais. E foi, dois pares de minutos depois. Do alto de seu 1,70 m, o camisa 9 cabeceou livre e venceu David de Gea. O substituto definiu a vitória por 2 a 1 sobre o Manchester United. Colocou os rojiblancos na próxima etapa. Tem uma história para contar aos netos, a noite em que arrancou aplausos (dos visitantes) no Teatro dos Sonhos.

Descendente de tunisianos, Ben Yedder nasceu em Sarcelles, cidade na região de Paris com alto número de imigrantes – de onde também vem Riyad Mahrez. O atacante deu seus primeiros passos em pequenos clubes locais e, ao mesmo tempo, despontava no futsal. Não à toa, enquanto acumulava seus gols nos gramados da quarta divisão, vestindo a camisa do Alfortville, também defendeu a seleção francesa nas quadras. Então, o prodígio de 20 anos chamou a atenção de clubes tradicionais da Ligue 1. Aceitou a proposta do Toulouse, se juntando inicialmente ao segundo quadro.

Em outubro de 2010, Ben Yedder estreou pelo Toulouse. Foram duas temporadas como reserva. A partir de então, tornou-se o dono do ataque dos alvirroxos. E dá até para dizer que demorou a sair do sul da França, por tudo o que aprontava. Foram quatro edições consecutivas da Ligue 1 anotando entre 14 e 17 gols, um número bem convincente a serviço de um figurante na tabela, que duas vezes lutou contra o rebaixamento. Em 2016/17, então, o Sevilla fez a aposta. Comprou o francês por €9,5 milhões, o substituto ideal após a venda de Kevin Gameiro.

O desempenho de Ben Yedder em seu primeiro ano na Andaluzia não foi estrondoso. Mas satisfez, na medida do possível. Nem sempre titular, marcou 11 gols e deu cinco assistências em La Liga, além de balançar as redes mais sete vezes entre Champions e Copa do Rei. Mas nada supera o que vem fazendo na competição continental nesta temporada. O atacante anotou oito dos 14 tentos da equipe desde a fase de grupos, atrás apenas de Cristiano Ronaldo na artilharia. Já tinha feito um estrago considerável no emocionante empate com o Liverpool no Nervión, quando comandou a reação com dois gols nos 3 a 3. Até ser o grande pesadelo do Manchester United.

Ben Yedder demonstrou algumas de suas virtudes em Old Trafford. Foi agressivo, soube aproveitar os espaços reduzidos e desferiu um chute certeiro. Poderia mesmo ter anotado outros gols, especialmente quando parou diante de De Gea no final. Nada que diminua a sua exibição inesquecível. Não é o centroavante de grande porte físico, mas compensa de outras maneiras. Os números na temporada, aliás, referendam o seu poder de fogo. São 19 gols em 34 partidas – mas, reserva muitas vezes, com ótima média de um tento assinalado a cada 115 minutos. Apesar da concorrência, pode menos pintar no radar da seleção francesa às vésperas da Copa do Mundo – considerando que ignorou as aproximações da Tunísia para levá-lo à Rússia.

Dá até para discutir se Ben Yedder deve ser o titular no ataque do Sevilla. Muitas vezes ele se reveza com Luis Muriel, de características distintas, mais veloz e driblador. Em contrapartida, o francês pode ser poupado a outros momentos mais necessários, criativo e bom finalizador. Não à toa, ambos se tornam importantes àquilo que os andaluzes constroem na temporada. O sucesso na Champions, de qualquer forma, vai mesmo para a conta do camisa 9. Sua atuação contra o Manchester United está entre as mais decisivas desta temporada. E isso porque dependeu de míseros 18 minutos.

Trivela

VOLTAR AO TOPO