Trivela

Alemanha

Os 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014 foi um placar que causou surpresa não só nos brasileiros. Os atletas da Nationalelf também não esperavam o resultado. O capitão da Alemanha na Copa de 2014, Philipp Lahm, admitiu constrangimento em ter aplicado uma goleada histórica sobre os anfitriões. “Foi uma opressão. Ninguém queria ver os adversários cometendo erros que não deveriam ter acontecido naquele nível”, afirmou Lahm em entrevista exclusiva à Trivela.

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O ex-jogador do Bayern de Munique disse que os alemães decidiram não frear em nenhum momento contra o Brasil por relembrarem o empate em 4 a 4 com Suécia, pelas eliminatórias da Copa de 2014. Em jogo realizado no dia 16 de outubro de 2012, a Nationalelf abriu uma vantagem de 4 a 0 no placar e a Suécia empatou nos acréscimos do segundo tempo. Lahm considera que foi ‘sorte’ ter tido esta experiência e, por conta deste aprendizado, os jogadores da Alemanha mantiveram o ritmo e a sucessão de gols contra a Seleção para não correr o risco de sofrer empate dos anfitriões.

“Tivemos sorte, se isso pode ser chamado de sorte, que, na fase qualificatória da Copa, empatamos com a Suécia em 4 a 4 sendo que estávamos ganhando de 4 a 0. E isso ainda estava na nossa mente quando fizemos 5 a 0 até o intervalo do jogo contra o Brasil. E todos nós pensamos: temos muito respeito pelo Brasil e então temos que continuar jogando do mesmo jeito. E foi o que fizemos”, explicou o ex-lateral.

Lahm relembrou ainda o momento mais especial na Copa de 2014: a final contra a Argentina no Maracanã. O ex-lateral disse ter ficado ansioso para que o juiz encerrasse a partida. “Os minutos entre o gol do Mario Götze e o apito final foram os minutos mais longos na minha carreira no futebol. O meu único pensamento na minha cabeça foi: ‘por favor, por favor, o apito final’.”

Como você se sente em ser o embaixador da candidatura da Alemanha para sediar a Eurocopa de 2024? Você acha que a Alemanha é a mais preparada para receber o evento já que o país sediou a Copa do Mundo de 2006?

Ser o embaixador da Alemanha para a candidatura da Euro de 2024 é uma responsabilidade que eu estou muito feliz em exercer. Como capitão do Bayern de Munique, descobri que sou muito bom em convencer pessoas. E é isso que tenho feito sendo embaixador da Federação Alemã.

Joguei a Copa do Mundo de 2006 e senti o enorme entusiasmo que isso gerou na Alemanha. Eventos como este fortalecem o sentimento de companheirismo, tanto no país quanto em toda Europa. Mostramos o quanto somos bons em sediar estes eventos, como em 1974 (Copa do Mundo), em 1988 (Eurocopa) e 2006 (Copa do Mundo).

Alguns países sofrem resistência da população em receber grandes eventos. Como os alemães enxergam a candidatura para sediar a Eurocopa de 2024?

Eu recebi muito apoio nos últimos meses. As pesquisas de opinião indicam que 90% dos alemães (que se interessam por futebol) são a favor da Alemanha sediar a Euro. E todo mundo ao meu redor diz o mesmo: eles estão ansiosos para ter um ótimo festival futebolístico. Querem experimentar aquele sentimento agradável de espírito de comunidade de novo. E o futebol pode proporcionar isso.

Como você se sentiu nos 7 a 1 contra o Brasil na Copa de 2014? Como avalia este jogo e o que achou deste placar histórico?

Foi uma opressão. Ninguém queria ver os adversários cometendo erros que não deveriam ter acontecido naquele nível. Tivemos sorte, se isso pode ser chamado de sorte, que, na fase qualificatória da Copa, empatamos com a Suécia em 4 a 4 sendo que estávamos ganhando de 4 a 0. E isso ainda estava na nossa mente quando fizemos 5 a 0 até o intervalo do jogo contra o Brasil. E todos nós pensamos: temos muito respeito pelo Brasil e então temos que continuar jogando do mesmo jeito. E foi o que fizemos.

Qual é a melhor lembrança sobre a Copa do Mundo de 2014?

O apito final na final contra Argentina. Os minutos entre o gol do Mario Götze e o apito final foram os minutos mais longos na minha carreira no futebol. O meu único pensamento na minha cabeça foi: ‘por favor, por favor, o apito final’. Eu me lembro que, antes do fim do jogo, teve uma jogada da Argentina e a cabeçada do Lionel Messi que passou por cima da trave. Em seguida Manuel Neuer chutou. E depois finalmente o apito final. Os últimos minutos do jogo e as duas horas que se seguiram são as primeiras lembranças que vêm à minha mente.

Como você avalia a eliminação da Alemanha na primeira fase da Copa do Mundo de 2018 e o que deveria ser feito para a Nationalelf recuperar as campanhas boas?

14 jogadores que ganharam a Copa do Mundo de 2014 não estavam mais jogando na Rússia este ano. Foi uma mudança de geração. E toda geração de jogadores é uma nova era. Atletas de características diferentes pedem uma liderança diferente. O que pode ser comunicado para todos os jogadores de toda geração é o que realmente significa defender a Alemanha, que o time como um todo é o que realmente importa e que cada jogador é responsável pela sua parte na equipe. A seleção alemã tem jogadores muito bons e agora é preciso que eles se tornem um novo time para voltarmos a ter sucesso. Isso é normal e sempre há fases de mudanças.

O que planeja fazer no futuro? Tem vontade de ser treinador ou dirigente?

Estou adorando o meu trabalho na Federação Alemã. O mundo do futebol é onde eu me sinto em casa e acho que é onde posso mais contribuir. Quem sabe o que vai acontecer no futuro? Vamos ver. No momento o mais importante para mim é trazer a Eurocopa para Alemanha. Se tivermos sucesso, muitas novas oportunidades vão surgir.

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