Trivela

América do Sul

A Copa Sul-Americana oferece o maior momento da história a Junior de Barranquilla e Atlético Paranaense. O vencedor do confronto conquistará um título internacional inédito em sua história. Não é de se estranhar, desta forma, todos os contornos de dramaticidade que a primeira partida da final ofereceu. Depois de um primeiro tempo completamente tenso, a segunda etapa foi explosiva, com as duas equipes criando chances para vencer. Ao final, porém, o empate por 1 a 1 no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez se torna mais satisfatório ao Furacão. O Tiburón teve oportunidades mais claras, barrado pelo travessão na cobrança de pênalti de Rafael Pérez e pelas ótimas defesas do goleiro Santos nos instantes finais. Cenário aberto para o reencontro na próxima semana, na Arena da Baixada. O último passo à consagração.

Antes que a bola rolasse, o espetáculo aconteceu nas arquibancadas do Estádio Metropolitano. A torcida não encheu completamente as tribunas, deixando cerca de 15% dos lugares vazios. Não seria isso, entretanto, que impediria a genuína festa dos alvirrubros. O recebimento aos times teve papés picados, bandeirões, sinalizadores. Tudo como manda o protocolo de uma verdadeira festa sul-americana, mas que a Conmebol não acata como parte de sua identidade. Um clima contagiante que certamente não se verá dias depois, no Santiago Bernabéu.

O Junior de Barranquilla não contava com Teo Gutiérrez, sua principal referência ofensiva, suspenso após a expulsão na semifinal. Por isso, viu outros jogadores chamando a responsabilidade. O jogo ficava em Jarlan Barrera e Luis Díaz, ambos movimentando-se bastante e concentrando as ações dos tiburones principalmente pelo lado esquerdo. Faltava abrir um pouco mais a defesa adversária para finalizar com perigo. O Atlético, por sua vez, cumpria a missão sem a bola, travando os colombianos. O problema é que não criava, sem encaixar os contra-ataques, errando demais as saídas. A pressão dos anfitriões na marcação desde o campo de ataque era um problema aos visitantes.

O nervosismo estava bastante claro. Os dois times demonstravam a sua vontade, sem que isso culminasse necessariamente em um bom jogo. A bola ficava tempo demais na intermediária, sem que as chances de gol aparecessem. Controlando mais a posse, o Junior proporcionou a única jogada de real perigo nos 45 minutos iniciais. Em uma das muitas bolas alçadas para a área, Díaz brigou por ela e quase abriu o placar, em chute acrobático de costas para o gol. Santos só conferiu, em arremate que passou por cima de seu travessão. Além disso, apagado no ataque, Renan Lodi fez dois cortes vitais dentro da área. Faltava cobrar uma postura diferente aos rubro-negros, contidos na primeira etapa. Era uma final aquém dos sonhos nutridos por ambas as torcidas.

A conversa de Tiago Nunes no intervalo deu resultado. Afinal, o Atlético foi outro time no segundo tempo, especialmente porque exibiu o ímpeto necessário à decisão. Começou a encaixar os contragolpes, ganhou velocidade na transição. O primeiro aviso veio em cabeçada muito perigosa de Leo Pereira, que passou ao lado da meta de Sebastián Viera. E o primeiro gol surgiu em contra-ataque imparável, aos quatro minutos. Um dos raros a ter seus lampejos no primeiro tempo, Bruno Guimarães acelerou a jogada com Nikão, que arrancou rumo ao campo de ataque. O meia ganhou no jogo de corpo e deu uma enfiada na medida a Pablo. O centroavante disparou e, após vencer o marcador na corrida, finalizou com precisão para tirar do alcance do goleiro.

O gol emudeceu o Estádio Metropolitano. Mas, sorte do Junior, não demoraria para as arquibancadas tremerem. Aos sete minutos, aconteceu o empate, em bola que pipocou na área do Atlético. A defesa fez apenas cortes parciais, sem muita força, até que James Sánchez ajeitasse de cabeça a Yony González. O atacante virou um arremate difícil, plástico, rumo ao gol de Santos. A bola quicou na grama e ganhou altura, o que impossibilitou a defesa, garantindo a igualdade. E o lance empolgou o Tiburón, que voltou a pressionar, insistindo nas bolas alçadas. Para piorar, Pablo sentiu lesão e precisou ser substituído por Roni.

Aos 24 minutos, uma confusão na área colombiana quase rendeu o segundo ao Furacão. O time não conseguiu finalizar em cheio e pediu pênalti – de fato inexistente. Coincidentemente, outra bagunça ocorreria no pagode rubro-negro, com uma bola salva na pequena área pela zaga brasileira. E na sequência, Roni cometeria uma infeliz (e indiscutível) penalidade sobre Germán Gutiérrez. O zagueiro Rafael Pérez foi para a cobrança e desferiu um chute indefensável, fortíssimo, no alto. Porém, com um detalhe: se Santos mal se mexeu, a bola também ganhou altura demais e explodiu no travessão, que pareceu ficar balançando durante alguns minutos, tamanha violência do tiro. Nada que evitasse a lamentação dos alvirrubros.

O Atlético ainda tentava retomar a vantagem a partir dos contra-ataques. Criava jogadas perigosas, mas que ficavam a um triz da conclusão fatal. A melhor delas aconteceu aos 38, com Bruno Guimarães. O volante recebeu na área e tirou a marcação, mas demorou para bater e viu o adversário se recuperar para o desarme providencial. Seria a preparação aos instantes finais que voltaram a pender ao Junior, sobretudo durante os acréscimos. Santos virou herói. Aos 46, saiu nos pés de Luis Carlos Ruiz, segurando uma bola ameaçadora na linha de fundo. Por fim, a grande defesa ocorreu aos 48, num chute venenoso de Barrera. O meia bateu de fora da área e buscava o canto, mas o arqueiro se esticou todo para salvar com uma só mão.

Pelo número de chances criadas e pela quantidade de momentos em que pressionou, o Junior foi inegavelmente superior na partida. Mas fato é que o Atlético Paranaense também teve suas chances de vencer, quando se recuperou no segundo tempo e passou a explorar melhor a velocidade de suas transições. Os contra-ataques poderiam ter sido mais frutíferos além do gol de Pablo. O empate por 1 a 1, de qualquer forma, não é ruim aos rubro-negros. Deixa o Furacão com a chance de decidir em casa, precisando apenas de uma vitória simples na Baixada – sem que o gol qualificado faça diferença, vale lembrar. O Tiburón impõe seu respeito no ataque, mas não é tão bom defensivamente e já demonstrou dificuldades em lidar com a pressão. Será a chave em Curitiba, na noite que coroará o campeão da Sul-Americana.

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