Trivela

Holanda

David Neres ganha menos minutos como titular do Ajax nesta temporada. Uma escolha do técnico Erik ten Hag, que prefere usar o atacante em momentos específicos, adicionando sua qualidade ao setor ofensivo. No entanto, a reserva não quer dizer que o brasileiro perdeu importância no elenco. Pelo contrário, ele segue participando e decidindo alguns jogos com sua incisividade pelas pontas. Nesta semana, Neres ganhou a capa da Voetbal International, a mais importante revista sobre futebol na Holanda. Concedeu uma longa entrevista, na qual abordou diferentes temas. Abaixo, trazemos alguns destaques, em material preparado e traduzido pelo Felipe dos Santos Souza no blog especializado Espreme a Laranja. Confira:

Outros brasileiros na Holanda

“Ronaldo e Romário tiveram na Holanda uma porta de entrada para uma fantástica carreira na Europa. Por causa deles, todo mundo conhece a Eredivisie no Brasil. Quando o Ajax veio com a oferta, pensei neles. Confiei que minha transferência para lá seria o começo ideal na Europa.”

A chegada ao Ajax

“Todos no clube e meus agentes me disseram que eu teria tempo para me adaptar, e precisaria usá-lo para me acostumar a tudo. Mas você quer se mostrar. Como novo jogador, eu queria mostrar à torcida o que podia fazer, mas precisei ter paciência.”

A cultura e clima da Holanda

“Eu já sabia das coisas que podiam ser usadas na Holanda. Os ‘red lights’, que são inimagináveis no Brasil. Vocês são bem tolerantes. E todo mundo anda de bicicleta aqui, nunca tinha visto. Mas eu sabia mais sobre o futebol da Holanda. […] Eu estava há uma semana aqui, acho, e aí vi neve pela primeira vez na minha vida. Aquele frio, aff… naturalmente tinham me dito antes, mas ver ao vivo é outra coisa. Treinar com gorro, com luvas, todo mundo encapotado”.

A evolução no clube

“Eu estava longe de casa, não entendia ninguém. Tinha muito apoio, mas como jogador, você só se sente bem ao brilhar em campo. Sentia falta da família, estava numa fase difícil, mas nunca deixei isso me dominar. Era minha missão: dar certo. Fui trabalhar ainda mais duro, ter ainda mais foco, fazer treinos extras, e tive a recompensa: mais minutos em campo, ser titular, fazer mais gols, ter o carinho da torcida. Não estou satisfeito, posso melhorar. Mas mostrei o que sei fazer”.

A infância em Perus e Pirituba

“Não dependíamos do futebol. Em casa a gente nem sempre tinha o que queria, não tinha muita comida, mas também nunca passamos fome. Meu pai trabalhou duro para manter a família, e junto da mãe, nos deu uma boa infância”.

A base do São Paulo

“A base lá é das melhores do Brasil. Mas eu não achava que podia virar profissional – no São Paulo tem muitos talentos, a concorrência é enorme. Só mais ou menos aos 16 anos eu me toquei que podia chegar lá, e passei a levar mais a sério”.

Melhor forma de atuar

“Eu me sinto bem na ponta-direita, mas no São Paulo também joguei regularmente na esquerda. E gosto de jogar no meio, como ’10’. Para meu desenvolvimento, só contribui ser experimentado em mais posições”.

Objetivos na temporada

“Isso [ganhar títulos] tem de acontecer agora. Temos um ótimo grupo, com boa gente e muitas qualidades. É hora de vencer. Esse sentimento está no grupo”.

A oferta de €30 milhões feita pelo Dortmund

“É uma honra o interesse, mas não quis me transferir na janela passada. Quero ficar no Ajax, porque ainda posso aprender muito aqui. Essa temporada ainda tenho um novo ápice, com a Champions”.

A fama de brincalhão

“O foco está todo no futebol, mas eu adoro brincar. Mesmo no começo difícil, eu tentava fazer algo. Se eu estou bem, eu brinco, e jogo ainda melhor”.

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