Trivela

Arquivo

No último mês de outubro, lançamos aqui na Trivela o nosso novo projeto de financiamento coletivo, na plataforma Padrim. A ideia é trazermos recursos para, primeiro de tudo, nos mantermos em pé. Mas também queremos fazer mais. Mais matérias especiais, mais vídeos, mais podcasts. Assim, para apresentar um pouco de nossa história e resgatar o tipo de conteúdo que pretendemos privilegiar no site, iremos republicar semanalmente reportagens e outros artigos fundamentais na trajetória da Trivela – seja no site ou na nossa antiga revista.

O texto escolhido para esta quinta foi publicado originalmente no site, em janeiro de 2014. Na realidade, é a introdução a cinco reportagens, escritas por Ubiratan Leal. Elas recontam o apogeu da Serie A, entre as décadas de 1980 e 1990. Faziam parte do “Tema da Semana”, projeto executado pela Trivela em 2014. Leia e apoie o nosso Padrim:

*****

Por Ubiratan Leal

Era um cenário quase surreal. Um clube tinha o esqueleto da seleção campeã mundial, e seu maior rival tinha os grandes craques da seleção campeã europeia. Um time mediano, que nunca conquistou um título, tirou o melhor jogador do Barcelona. Um time de segunda divisão tinha o atacante titular da seleção brasileira. O camisa 9 da Argentina também ia jogar a Segundona. Até a Globo se dobrou, e fez uma experiência transmitindo futebol europeu nas manhãs de domingo. E tudo isso fazia sentido, porque o poder daquele campeonato parecia não ter limites.

O mundo nunca mais terá uma liga nacional tão forte quanto o Campeonato Italiano entre as décadas de 1980 e 90. Foi um momento particularmente especial, em que a Serie A se tornou “o” lugar para se estar naquele período. Qualquer clube, mesmo os pequenos, tinha condição de contratar craques das principais seleções do planeta e entrava nas competições europeias como candidato a título. Jogar na Itália era usado como atestado de que o jogador era bom, mesmo que não fosse.

Isso só foi possível por uma junção de fatores, internos e externos. A Itália reestruturou seu futebol a partir da década de 1980, recebendo pesados investimentos de empresários (e mafiosos) e do governo, que ajudou a bancar a modernização dos estádios para receber a Copa de 1990. Além disso, era um momento de baixa nas outras grandes ligas da Europa. Na Espanha, Real Madrid e Barcelona montaram grandes equipes em alguns momentos, mas não era um processo contínuo. Na Alemanha, os clubes não tinham costume de gastar fortunas. Na Inglaterra, a violência entre torcedores e o banimento de competições continentais abalou um campeonato que começou a se refazer por completo. Leste Europeu? Ainda eram nações comunistas, sem neomilionários que usavam o futebol para brincar com sua fortuna.

Com isso, a Itália teve em algum momento os grandes craques do período, não importava o país. Podia ser o Brasil (Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo, Careca), a Argentina (Maradona, Passarella, Batistuta, Ramón Díaz), a Alemanha (Matthäus, Klinsmann, Rummenigge, Völler, Möller, Hässler), a França (Platini, Zidane, Henry), a Holanda (Gullit, Van Basten, Rijkaard, Bergkamp), a Dinamarca (Laudrup, Elkjaer), a União Soviética (Zavarov, Alejnikov, Shalimov), a Inglaterra (Gascoigne, Francis, Platt, ainda que Lineker tenha preferido a Espanha), a Romênia (Hagi, Raducioiu, Lacatus), a Iugoslávia (Savicevic, Stojkovic, Boban), o Uruguai (Francescoli, Aguilera, Rubén Sosa, Fonseca), Portugal (Futre, Rui Costa), a Escócia (Sounness), a Suécia (Brolin), a Polônia (Boniek), a Bélgica (Scifo), a Colômbia (Asprilla), a Tchecoslováquia (Skuhravy), a Áustria (Polster), Gales (Rush)… Só a Espanha, com clubes locais ricos, evitavam um grande êxodo. Ainda assim, Martín Vázquez defendeu o Torino.

Toda essa gente boa se dividia pelos diversos clubes, com chances até para Pescara, Bari, Cremonese e Atalanta terem seus craques. É verdade que havia limitação de estrangeiros, mas a geração italiana da época ajudava a manter o nível alto. Nomes como Baggio, Baresi, Maldini, Vialli, Mancini, Donadoni, Albertini, Bergomi, Zola e Ancelotti faziam da Azzurra uma das seleções mais fortes do mundo. Uma seleção que chegou às semifinais de três das cinco Copas disputadas entre 1980 e 2000.

A Trivela vai, nesta semana, contar a história desse campeonato. Desde a crise na década de 1970 até a explosão nos anos 80 e na primeira metade dos 90. Para fechar, os motivos da decadência e uma repassada nos grandes times da época. Entra no ar nesta semana, uma parte por dia, até sexta. Confiram:

Parte 1: A depressão dos anos 60 e 70

Como a derrota para a Coreia do Norte na Copa de 1966 criou um pânico no futebol italiano, que cometeu vários erros até se tornar um coadjuvante no cenário europeu.

Parte 2: O Totonero, e o início da recuperação

O maior escândalo do futebol do país foi o golpe que fez a Serie A acordar. Investimentos pesados fizeram o país crescer rapidamente na primeira metade da década de 1980.

Parte 3: Os italianos dominam a Europa

O período de ouro, entre 1985 e 1995, com duas formações históricas do Milan e hegemonia marcante dos italianos nas competições europeias.

Parte 4: Operação Mãos-Limpas e a decadência

A Itália ainda era forte, mas o governo decidiu atacar a máfia, o que fez parte do dinheiro do futebol sumir. Aos poucos, os italianos foram perdendo força até serem ultrapassados pelos Campeonatos Espanhol e Inglês.

Parte 5: Os 10 maiores esquadrões da época de ouro do Serie A

Veja os grandes times nesses 20 anos do Campeonato Italiano.

Trivela

VOLTAR AO TOPO