Trivela

Europa

Esta é a segunda parte do especial sobre a seleção belga que brilhou entre os anos oitenta e noventa. Leia a primeira parte.

Por Emmanuel Do Valle

Capítulo 2: Escândalo e renovação

A má campanha na segunda fase do Mundial espanhol não fez os belgas baixarem a cabeça. Pelo contrário: mais uma vez em um grupo equilibrado nas Eliminatórias para a Eurocopa de 1984 (enfrentando Escócia, Suíça e Alemanha Oriental), os Diabos Vermelhos sobraram na chave, vencendo seus quatro primeiros jogos e confirmando a vaga em 12 de outubro de 1983, com um empate diante dos escoceses no Hampden Park, mesmo local onde haviam obtido a classificação para a edição anterior do torneio, quatro anos antes.

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Paralelamente, os clubes belgas também mantinham o bom momento, especialmente o Anderlecht. Primeiro foi semifinalista da Copa dos Campeões em 1982, depois de eliminar com autoridade a Juventus, base da seleção italiana, além do Widzew Lodz (base da forte Polônia) e o Estrela Vermelha, e cair diante do futuro campeão Aston Villa. Na temporada seguinte, conquistou a Copa da Uefa em dois jogos contra o Benfica, após despachar o Porto e o Valencia ao longo da trajetória. E na posterior, ficou com o vice no mesmo torneio, perdendo a decisão nos pênaltis para o Tottenham, superando durante a campanha clubes como Lens, Spartak Moscou e Nottingham Forest. Enquanto isso, o Standard Liège, outro clube tradicional do país, chegaria à única decisão europeia de sua história na Recopa em 1982, perdendo de virada para o Barcelona no “neutro” Camp Nou, com um gol bastante contestado de Quini.

Ironicamente, o Standard também seria o centro de um escândalo que abalou o futebol do país no começo de 1984. Uma investigação sobre sonegação fiscal conduzida pelo juiz de Direito, Guy Bellemans, contra o dirigente Roger Petit e o técnico Raymond Goethals acabou levando a uma acusação ainda mais grave: Eric Gerets, capitão do clube e da seleção, admitiu ter subornado jogadores do pequeno Waterschei, sob orientação do treinador e com a participação de companheiros do elenco, para que facilitassem o jogo contra o clube pela última e decisiva rodada do Campeonato Belga de 1982. Na ocasião, o Standard precisava apenas do empate em casa para levantar a taça e, enquanto se preparava para decidir a Recopa contra o Barcelona dali a três dias, tratou de se “precaver” para que não fosse surpreendido na liga.

Em abril de 1984, às vésperas da Eurocopa, a federação belga se decidiu por banir Goethals e Petit (pena depois revogada) do futebol do país, suspender Gerets por dois anos (punição depois reduzida), além de outros sete atletas do Standard – entre eles nomes de seleção, como o goleiro Michel Preud’Homme, o zagueiro Walter Meeuws, o lateral Gerard Plessers e o meia Guy Vandersmissen – por seis meses

No curto prazo, a decisão foi bastante prejudicial para a campanha da seleção no torneio continental, com o técnico Guy Thys tendo que lançar mão de jogadores inexperientes e até estreantes, especialmente no setor defensivo. Assim, não foi surpresa a queda ainda na fase de grupos, depois de vencer a Iugoslávia por 2 a 0 na estreia, ser goleada pela dona da casa França por 5 a 0 com um show de Platini na segunda partida e, por fim, cair de virada por 3 a 2 para a Dinamarca, depois de abrir dois gols de vantagem no primeiro tempo. Por outro lado, a necessidade de utilizar os novatos ajudou a iniciar uma grande renovação na equipe para a segunda metade da década. E um grupo de jogadores de alto nível surge nessa leva.

Um deles é o lateral-direito Georges Grun, revelação do Anderlecht e substituto de Gerets. Faz sua estreia na seleção justamente na partida contra a Iugoslávia pela Eurocopa, e da melhor maneira possível, marcando um dos gols belgas. Eficiente na marcação e competente no apoio, o jovem de 22 anos demonstra também versatilidade, podendo atuar ainda como líbero, zagueiro central e volante.

Outro é o atacante Nico Claesen, 21 anos, que atua no pequeno Seraing, de Liège: rápido e inteligente, tinha tanta facilidade de jogar pelas pontas quando de chegar ao gol adversário. E, principalmente, há o maior talento surgido no país na década, o meia Vincenzo Scifo, armador de estilo clássico e toque refinado. Aos 18 anos recém-completados, faz seu primeiro jogo pela seleção no amistoso contra a Hungria, uma semana antes da estreia na Euro – na qual seria titular e o principal responsável pela criação de jogadas.

A necessidade de reconstruir a equipe fez com que os belgas tivessem mais dificuldade nas Eliminatórias para a Copa de 1986 do que nas fases de classificação anteriores, embora estivessem num grupo bem mais acessível (apenas a Polônia de Boniek era um adversário à altura, com Grécia e Albânia fazendo figuração). O time de Guy Thys venceu suas três partidas em casa, mas não conseguiu triunfar como visitante: empatou com os gregos, sofreu uma surpreendente derrota para os albaneses em Tirana (2 a 0) e chegou ao confronto com os poloneses em Varsóvia precisando ganhar. Mas um empate em 0 a 0 colocou a Polônia na primeira colocação, com mesmo número de pontos e saldo de gols, mas levando vantagem no número de tentos marcados. A segunda colocação obrigou os belgas a enfrentarem a Holanda numa repescagem – pela quarta vez consecutiva, os rivais se cruzariam decidindo vaga no Mundial.

No primeiro jogo, em Bruxelas, vitória belga por 1 a 0 com gol de Vercauteren diante de um time holandês no qual começava a despontar um trio que faria história: Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco Van Basten. Na volta, em Roterdã, a Laranja abriu dois gols de frente com Peter Houtman e Rob De Wit e parecia ter encaminhado a classificação. Mas Georges Grun, que havia entrado no intervalo, aproveitou cruzamento da direita de Gerets (de volta após a suspensão) e subiu mais que toda a defesa para marcar, a cinco minutos do fim, o gol dramático que valeu a vaga aos visitantes.

Na mesma época, os clubes belgas continuavam fazendo campanhas expressivas: o Anderlecht chegara mais uma vez às semifinais da Copa dos Campeões, eliminando o Bayern de Munique de Löthar Matthäus – e do compatriota Jean-Marie Pfaff – antes de cair diante do futuro campeão Steaua Bucareste. E o pequeno Waregem surpreendia na Copa da Uefa tirando o Milan com vitória dentro do San Siro, antes de parar também nas semifinais diante do Colônia.

A dupla de frente do Waregem, formada pelas revelações Philippe Desmet e Daniel Veyt, acabaria incluída entre os 22 que iriam disputar a Copa do México. Mas a base da seleção agora era a forte equipe do Anderlecht – entre eles Grun, Scifo, os experientes Vandenbergh, Vercauteren e Vandereycken, mais o jovem zagueiro Stéphane Demol, de apenas 20 anos e revelado nas partidas de preparação para o Mundial. O time titular dos Diabos Vermelhos também tinha novos nomes, como o zagueiro e volante Franky Van Der Elst (sem parentesco com o velho François) e o dinâmico meia Patrick Vervoort.

No entanto, se a qualidade das novas peças ajudava na renovação, dentro do elenco a coesão não aparecia: os belgas chegaram ao México em meio a um conflito de gerações, com os jovens Scifo e Vervoort de um lado e os veteranos Gerets e Ceulemans de outro. Foi preciso que a equipe cumprisse uma primeira fase abaixo das expectativas – além da mediação do goleiro Pfaff – para que os grupos divergentes tomassem consciência da necessidade de união para melhorar o ambiente.

Sorteados num grupo não tão difícil, contra o anfitrião México de Hugo Sánchez, o Paraguai de Romerito e o Iraque do técnico brasileiro Evaristo de Macedo, os belgas oscilaram: derrotados na estreia diante dos mexicanos (2 a 1) em um Estádio Azteca lotado, recuperaram-se com uma vitória magra (também 2 a 1) sobre os iraquianos. Na última partida, jogaram melhor que os paraguaios e estiveram duas vezes à frente do placar. Mas descuidos defensivos acabaram por provocar o empate que deixou os Diabos Vermelhos apenas na terceira colocação, avançando na repescagem. Nas oitavas, encararam a forte seleção da União Soviética num jogo épico, vencendo por 4 a 3 na prorrogação (embora seus dois gols no tempo normal tenham sido contestados por impedimento).

Também não eram os favoritos nas quartas, diante de uma Espanha que havia acabado de surpreender ao golear a sensação “Dinamáquina”. Mas abriram o placar no primeiro tempo com Ceulemans de cabeça, suportaram a pressão espanhola durante quase todo o restante do tempo normal (com Pfaff brilhando), cederam o empate, mas venceram nos pênaltis. Na semifinal diante da Argentina, no entanto, não conseguiram parar um infernal Maradona no segundo tempo, após empate sem gols na etapa inicial. E na decisão do terceiro lugar, contra a França, arrancaram um empate em 2 a 2, levando à sua terceira prorrogação na fase de mata-mata. Mas acabaram sem pernas e levaram mais dois gols. De qualquer maneira, já haviam obtido a melhor colocação belga numa Copa do Mundo, uma quarta colocação que referendava o bom momento do futebol do país naquela década.

Taticamente, aquela equipe apresentou diferenças em relação ao mundial anterior, com um esquema que variava durante as partidas. A partir do jogo contra o Paraguai, o time passou a adotar uma espécie de 3-5-2 (podendo se transformar num 5-3-2 ou num 4-4-2). Gerets continuava na lateral direita e, se já não se lançava à frente com tanta frequência, era peça importante na saída de jogo. Grun atuava como volante pelo lado direito quando o time atacava ou fechava como um terceiro zagueiro pelo mesmo lado quando defendia. Renquin passou da lateral esquerda para o centro da defesa, fazendo dupla com Demol, ou recuando como líbero atrás da zaga quando a equipe era atacada. Do lado esquerdo, o versátil Vervoort corria por todo o flanco, bem aberto, quase como um ala, e às vezes compunha o meio-campo. No setor de criação, Scifo atuava aberto pelo lado direito, fechando na diagonal pelo meio e iniciando as jogadas ofensivas com passes e lançamentos para o centro. Vercauteren e Ceulemans também compunham a faixa central do setor, sendo que este jogava mais adiantado, também se apresentando na frente em arrancadas como um ponta de lança. Já no ataque, os rápidos e dribladores Claesen e Veyt caíam pelas pontas e apareciam na área para finalizar, sempre contando com o auxílio do experiente Ceulemans.

Capítulo 3: O fenômeno Mechelen e a nova geração

O período pós-Copa de 1986 viu surgir uma nova potência entre os clubes belgas: o KV Mechelen (ou Malines, em francês), time com três títulos nacionais na década de 1940 e que desde então havia se acostumado com longos períodos de campanhas na metade de baixo da tabela. No mesmo ano de 1982 em que foi rebaixado para a segunda divisão, o clube ganhou um novo e ambicioso presidente, o empresário do ramo da informática e telecomunicações John Cordier, de apenas 41 anos. De volta à elite na temporada 1983-84, o clube daria seu grande salto qualitativo três anos depois, quando já reunia jogadores com passagem pela seleção belga (Preud’Homme, Clijsters, pai da tenista Kim, o meia Bert Cluytens) e inclusive holandeses, como o zagueiro Graeme Rutjes, o meia Erwin Koeman e o atacante Piet Den Boer.

O clube começou sua escalada meteórica vencendo a Copa da Bélgica em 1987 e, em seguida, marcou mais dois triunfos dos belgas sobre os rivais holandeses, ao conquistar a Recopa diante do Ajax e a Supercopa Europeia diante do PSV. Em 1989, reforçado pelo atacante holandês John Bosman, tirado dos Ajacieden, reconquistou o título da liga depois de 41 anos e chegou às semifinais da Recopa, caindo para a Sampdoria.

Na temporada seguinte, chegou às quartas de final da Copa dos Campeões, caindo apenas na prorrogação em um duelo memorável diante do lendário Milan de Arrigo Sacchi, após dois empates em 0 a 0 nos 180 minutos. Graças em grande parte aos milagres de Michel Preud’Homme – o sucessor de Pfaff, igualmente brilhante no gol da seleção –, mas também à boa geração surgida no clube naquele período, como o versátil Marc Emmers (que atuava como líbero ou volante), o zagueiro Philippe Albert, o meia Bruno Versavel e o atacante Marc Wilmots, promessas para o Mundial da Itália, que viria a seguir.

Depois de ficar de fora de uma grande competição pela primeira vez em quase uma década ao não se classificar para a Eurocopa de 1988 (perdeu a vaga para a Irlanda), a Bélgica se classificou sem sobressaltos para a Copa de 1990, invicta e em primeiro lugar do grupo no qual os tchecoslovacos também carimbaram o passaporte, eliminando Portugal, Suíça e Luxemburgo.

Apesar da campanha tranquila, Guy Thys deixa o comando da seleção em junho de 1989, em meio às Eliminatórias, substituído por seu auxiliar, o ex-zagueiro Walter Meeuws. No entanto, os problemas de relacionamento com o elenco fazem que Meeuws dure apenas alguns meses no comando, retornando Thys para o Mundial. Dez anos depois, os belgas voltam à Itália com ambições de fazer bonito como na Eurocopa de 1980.

O futebol italiano também se tornou, ao longo daquele período, um grande centro de atração para jogadores belgas. Se antes da reabertura dos portos da terra do Calcio aos estrangeiros, em 1980, tinham sido raros os originários da Bélgica atuando no país, o cenário mudou justamente nos anos de ouro do futebol da Bota: o volante René Vandereycken iniciou a série ao se transferir do Club Brugge para o Genoa em 1981. Depois viriam o meia Ludo Coeck (do Anderlecht para a Inter de Milão em 1983), o lateral Eric Gerets (do Standard Liège para o Milan em 1983), o meia Vincenzo Scifo, em duas passagens (do Anderlecht para a Inter de Milão em 1987 e do Auxerre francês para o Torino em 1991), o zagueiro Stéphane Demol (do Anderlecht para o Bologna em 1988) e o atacante Francis Severeyns (do Antuérpia para o Pisa em 1988).

Após a Copa, também chegariam à península o defensor Georges Grun (do Anderlecht para o recém-promovido Parma em 1990) e o meia Patrick Vervoort (do Bordeaux francês para a Ascoli em 1991). Fora do futebol italiano, Pfaff se estabeleceu como goleiro de um grande esquadrão do Bayern de Munique de meados da década. E Gerets capitaneou o PSV na conquista de sua única Copa dos Campeões, em 1988.

No Mundial italiano, a Bélgica voltou ao 4-4-2 simples (alternando em alguns momentos para um 5-3-2) e começou empolgante, com vitórias categóricas sobre a Coreia do Sul (2 a 0) e o Uruguai de Francescoli, Rubén Sosa e De León (3 a 1, abrindo 3 a 0 logo no início da etapa final). Com a classificação assegurada, poupou alguns titulares e perdeu para a Espanha na última rodada por 2 a 1, resultado que a jogou para a vice-liderança do Grupo E.

Nas oitavas, a adversária seria a Inglaterra, primeira colocada no Grupo F. Mais ofensivos durante boa parte do jogo, os belgas bateram na trave de Shilton duas vezes, com Ceulemans e Scifo. Mas no último minuto da prorrogação, David Platt acertou um giro improvável após uma falta levantada para a área e mandou os Diabos Vermelhos de volta para casa, com a sensação de que poderiam ter chegado mais longe. Em seguida, a campanha fraca nas Eliminatórias para a Eurocopa de 1992 motivou a saída definitiva do veterano Guy Thys, o grande comandante daquele bem-sucedido período.

Capítulo 4: Novo comandante na última grande chance

Para o lugar de Thys, demissionário em maio de 1991, entrou o ex-craque Paul Van Himst, então com 47 anos, e que já havia levado o Anderlecht ao título da Copa da Uefa em 1983. O novo treinador iniciou mais um processo de renovação, o maior daquele período, afastando definitivamente veteranos como Gerets, Clijsters e Ceulemans, além de nem tão veteranos (mas em má fase) como Demol, Claesen e Vervoort. Montou uma espinha dorsal com Preud’Homme, Grun, De Wolf, Van Der Elst e Scifo e completou o time com reservas da Copa anterior além de caras novas como o zagueiro Rudi Smidts (do Antuérpia, vice-campeão da Recopa em 1993), os laterais Dirk Medved e Vital Borkelmans e o armador Danny Boffin. E na frente, embora não tenha levado aos Estados Unidos o brasileiro naturalizado Luís Aírton Oliveira, contava com talento de sobra no trio Marc Degryse-Marc Wilmots-Luc Nilis. Porém a falta de um goleador nato obrigou a convocação de outro estrangeiro, o croata Josip Weber, artilheiro do Campeonato Belga nas três últimas temporadas.

Depois de uma classificação tranquila, chegando a vencer suas seis primeiras partidas nas Eliminatórias, num equilibrado grupo que incluía ainda Romênia, Tchecoslováquia e País de Gales, além dos inexpressivos Chipre e Ilhas Faroe, os belgas chegaram aos EUA novamente como cabeças de chave, em razão de seu bom retrospecto recente nas duas últimas Copas. E teriam pela frente no Grupo F a eterna rival Holanda, o bem cotado Marrocos e a candidata a saco de pancadas Arábia Saudita.

Começaram muito bem: venceram marroquinos e holandeses por 1 a 0 com boas atuações, especialmente de Preud’Homme, um monstro no gol. No último jogo da fase de grupos, porém, vacilaram e perderam para os surpreendentes sauditas, também por 1 a 0, num jogo tecnicamente fraco, mas que valeu pelo gol mais bonito daquele Mundial, marcado por Saeed Al-Owairan.

A derrota no último jogo passou os Diabos para a terceira colocação na chave – e colocou parada indigesta pelo caminho logo nas oitavas: a Alemanha, líder do Grupo C. Foi uma partida memorável, intensa e cheia de gols. Völler abriu o placar aos cinco minutos, Grun empatou aos sete e Klinsmann botou os alemães novamente na frente aos 11. Aos 39, Völler cabeceou para ampliar para os então campeões do mundo. Na etapa final, Preud’Homme aumentou sua cota de milagres na competição com mais algumas grandes defesas, enquanto os belgas ameaçavam muito nos contra-ataques. Num deles, Helmer fez pênalti escandaloso em Weber, ignorado pelo árbitro suíço Kurt Röthlisberger.

No fim, o zagueiro Albert descontou em bela jogada individual e os belgas foram para o tudo ou nada, tentando o empate. Até Preud’Homme, num dos lances mais lembrados daquela Copa, foi para a área alemã tentar o gol de empate. Mas não deu. Como em 1990, os belgas caíam nas oitavas, ainda que de pé. E ainda teriam Preud’Homme eleito, com toda a justiça, o melhor goleiro daquele Mundial.

Depois daquela Copa, o futebol belga entrou em prolongado declínio. Os clubes perderam a representatividade, despencando de um quarto lugar no ranking da Uefa em 1994 para o 20º posto em 1998. E a seleção, envelhecida e sem um potencial de renovação tão satisfatório, passou a colher resultados medíocres pelo resto daquela década e toda a seguinte – exceto pela participação na Copa de 2002, que encerraria uma série de seis Mundiais disputados de forma consecutiva, e na qual os Diabos surpreenderam com uma classificação um tanto inesperada para as oitavas, dando calor ao Brasil, futuro campeão. Até o surgimento da atual geração, trazendo a seleção de volta aos grandes torneios a partir da Copa do Mundo de 2014.

Conclusão: qual a melhor geração?

A distinção entre as seleções belgas dos anos 80 e 90 e a atual passa em parte pelo perfil dos jogadores. A equipe hoje incensada é formada, especialmente no meio-campo, por jogadores de grande qualidade técnica, rápidos, leves, dribladores, como Hazard, De Bruyne, Mertens e outros. Já a anterior, embora habilidade não fosse necessariamente algo escasso, levava vantagem no porte físico. Assim, sabia equilibrar de maneira mais satisfatória força, técnica e tática. E sobretudo se destacava por algo que a atual ainda parece estar à procura: a personalidade. Era, via de regra, uma equipe madura, “cascuda”, preparada para encarar o jogo que viesse pela frente, pronta para nivelá-lo no plano em que ele se apresentasse. Não chegou a conquistar títulos, como a atual pode vir a fazer dentro de algum tempo, com o eventual acúmulo de experiência. Mas, naquele tempo, era sempre bom tomar cuidado com os velhos Diabos Vermelhos.

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